sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Imago Dei
A única religião verdadeira é aquela para a qual tudo o que ela não é é heresia. Parece ser redundante dizer heresia dela própria, no entanto aquilo que é o próprio da religião é um outro, o radicalmente outro; a heresia é o outro da religião, a falta. A única religião verdadeira é a religião que coincida com a sua heresia, porque toda a heresia é a sua falta e o que falta à religião é Deus.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Alvor
Chega hoje a boa nova à orla da núbia terra. Jorram anjos do altar do tempo, ingénitas energias triunfantes na madrugada do esplendor. É o alvor teofânico do além cantado nos milénios por vir, incriado exalar da comunidade dos santos.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Nós somos aqueles por quem temos esperado
You have been telling the people that this is the Eleventh Hour. Now you must go back and tell the people that this is The Hour. And there are things to be considered:
Where are you living?
What are you doing?
What are your relationships?
Are you in right relation?
Where is your water?
Know your garden.
It is time to speak your Truth.
Create your community. Be good to each other. And do not look outside yourself for the leader.
This could be a good time!
There is a river flowing now very fast. It is so great and swift that there are those who will be afraid. They will try to hold on to the shore. They will feel they are being torn apart, and they will suffer greatly.
Know the river has its destination. The elders say we must let go of the shore, push off into the middle of the river, keep our eyes open, and our heads above the water. See who is in there with you and celebrate.
At this time in history, we are to take nothing personally. Least of all, ourselves. For the moment that we do, our spiritual growth and journey comes to a halt.
The time of the lone wolf is over. Gather yourselves!
Banish the word struggle from your attitude and your vocabulary.
All that we do now must be done in a sacred manner and in celebration.
We are the ones we've been waiting for.
—The Elders Oraibi
Arizona Hopi Nation
Where are you living?
What are you doing?
What are your relationships?
Are you in right relation?
Where is your water?
Know your garden.
It is time to speak your Truth.
Create your community. Be good to each other. And do not look outside yourself for the leader.
This could be a good time!
There is a river flowing now very fast. It is so great and swift that there are those who will be afraid. They will try to hold on to the shore. They will feel they are being torn apart, and they will suffer greatly.
Know the river has its destination. The elders say we must let go of the shore, push off into the middle of the river, keep our eyes open, and our heads above the water. See who is in there with you and celebrate.
At this time in history, we are to take nothing personally. Least of all, ourselves. For the moment that we do, our spiritual growth and journey comes to a halt.
The time of the lone wolf is over. Gather yourselves!
Banish the word struggle from your attitude and your vocabulary.
All that we do now must be done in a sacred manner and in celebration.
We are the ones we've been waiting for.
—The Elders Oraibi
Arizona Hopi Nation
sábado, 12 de julho de 2008
Demorar
Ainda que me sinta na necessidade de romper estritamente com qualquer tipo de distanciação que me pareça albergar em si uma espécie de convencionalidade consentida - ao fim e ao cabo uma ideologia, no sentido muito preciso que ela ganha na contemporaneidade a partir de Althusser, hoje bastante acentuado por Slavoj Žižek: i.e., o de ser inconsciente -, sinto-me igualmente, como se depreende daquilo que estou neste mesmo momento a escrever, obrigado a mantê-la. Obviamente que se encontra aqui em causa a reciprocidade que se estabelece entre a minha representação do blog como uma totalidade coerente, à qual - depois de um impulso criativo primeiro que inevitavelmente ganhou forma e projecto assim que o decidi substanciar num blog -, me submeti, aparentemente, de um modo voluntário, e a representação de todo o outro que leia aquilo que eu escrevo. "Aquilo que eu escrevo", justamente porque só neste movimento de reciprocidade entre a representação que eu faço do blog e aquilo que eu julgo ser a expectativa criada pela representação do outro, como é ridículo!, na verdade a representação da representação que o outro faz da minha representação; só neste movimento é que me posso constituir como autor, ou representar-me como tal.
Tudo isto apenas me conduz à minha "intenção" original de escrita, que era a de falar de algo do qual entretanto me esqueci durante a própria escrita, para depois me lembrar e automaticamente colocar em questão devido ao rumo que essa escrita tinha tomado. No entanto agora ganha uma dimensão enorme e profunda, simplesmente porque sinto despontar nela um sentido que me estava oculto nesse momento supostamente original da intenção primeira e que somente despontou da minha hesitação - palavra cara a Bergson - na escrita.
Demorar, ainda não pensei bem esta palavra. Demoro-me na escrita, estou, permaneço, nela e ao mesmo tempo, justamente, ela demora-se em mim, aparecendo-me como atraso. E não pára de bradar em mim o pensamento de que isto é uma espécie de alegoria literária da experiência de Deus.
Tudo isto apenas me conduz à minha "intenção" original de escrita, que era a de falar de algo do qual entretanto me esqueci durante a própria escrita, para depois me lembrar e automaticamente colocar em questão devido ao rumo que essa escrita tinha tomado. No entanto agora ganha uma dimensão enorme e profunda, simplesmente porque sinto despontar nela um sentido que me estava oculto nesse momento supostamente original da intenção primeira e que somente despontou da minha hesitação - palavra cara a Bergson - na escrita.
Demorar, ainda não pensei bem esta palavra. Demoro-me na escrita, estou, permaneço, nela e ao mesmo tempo, justamente, ela demora-se em mim, aparecendo-me como atraso. E não pára de bradar em mim o pensamento de que isto é uma espécie de alegoria literária da experiência de Deus.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Algo em mim de podre se desfaz.
Sou como caruma perdida algures na terra húmida do Inverno, aguardando uma - talvez - ilusória redenção no saturnino lodaçal.
Um pouco de nada me sabe escutando-o, pequeno, minúsculo, ínfimo.
É SANGUE ESCORRENDO DA IMENSA FERIDA DARDEJANTE DAS ALMAS, CLAMOR INFINITO DOS MORTAIS ESPÍRITOS; ÉTER DERRAMADO NA SUPERFÍCIE DOS ABISMOS.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Produção
Produzo-me e consumo-me vezes sem conta, ininterruptamente, a uma velocidade tal que me chego a sentir imóvel. Sou aquele que se consuma produzindo-se e que se produz consumando-se; o que resta permanece absoluto, nada.
sábado, 3 de maio de 2008
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