domingo, 10 de outubro de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
O que fazer quando um espaço é totalmente branco e o único movimento aí presente é o de uma tautologia infinita em que a escrita referencia sem cessar essa branquidão? Quadrado branco sobre fundo branco. Detesto questões retóricas, contudo, elas testemunham por vezes uma real escrita do impossível.
O que fazer quando uma compulsão qualquer persiste para além de todo o conhecimento, de toda a vontade, de todo o gosto? Ding an sich. Nem sequer chegando a ser uma sublimidade, mas algo de terrivelmente banal: a gravidade da terra presente, em toda a sua medonha espessura, numa simples constatação de facto - o facto de se ser. Um verdadeiro feito, mas não uma proeza.
Por outro lado, tenho a perfeita noção, eu, de que pensar nesta escrita como uma escrita do vazio é uma mentira. Desde quando o vazio é sinónimo de viscosidade psíquica? Desde quando o vazio exuma uma fragrância fétida, como se uma protuberância larviforme se ocultasse no seu interior? Um não-nato, aborto monstruoso de algo que nada veio a ser.
O que fazer quando uma compulsão qualquer persiste para além de todo o conhecimento, de toda a vontade, de todo o gosto? Ding an sich. Nem sequer chegando a ser uma sublimidade, mas algo de terrivelmente banal: a gravidade da terra presente, em toda a sua medonha espessura, numa simples constatação de facto - o facto de se ser. Um verdadeiro feito, mas não uma proeza.
Por outro lado, tenho a perfeita noção, eu, de que pensar nesta escrita como uma escrita do vazio é uma mentira. Desde quando o vazio é sinónimo de viscosidade psíquica? Desde quando o vazio exuma uma fragrância fétida, como se uma protuberância larviforme se ocultasse no seu interior? Um não-nato, aborto monstruoso de algo que nada veio a ser.
domingo, 14 de março de 2010
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Pensemos
Está na hora de acabar com individualismos mesquinhos. Vivemos numa época de miséria intelectual em que numerosos muros se erigem por todo o lado ao pensamento, a começar pelos mais intransponíveis de todos: as múltiplas e incógnitas barreiras da nossa falsa consciência. Enganem-se aqueles que pensam que o necessário hoje em dia é o recolhimento numa suposta intimidade egótica. Pelo contrário, esse é o sentido que nos é imposto hoje em dia pelas subtis forças da alienação; são elas que nos vendem gato por lebre - quando pensamos que nos instalamos na simplicidade, é a pequenez que nos acolhe com um fulgor jamais visto em parte alguma. Essa pequenez cumpre um vasto propósito que dissimuladamente se imiscui cada vez mais e mais por entre recônditos e inauditos espaços da nossa constituição, até que a potência de vida por nós reservada a um puro deleite narcísico entre plenamente no fluxo do capital e se torne mais um stock entre outros, disposto como que em prateleiras de uma "grande superfície" para o livre usufruto do poder.
É urgente não agir, mas pensar em conjunto. O espaço do agir imediato torna-se mais apertado e sufocante a cada dia que passa; a necessidade que longiquamente emerge no horizonte é a de um pensamento capaz de se situar livremente face às demandas de um mundo que prefiguramos surgir diante de nós a uma velocidade crescente. Um mundo populado por novas formas de coacção e constrangimento cada vez mais subtis, actuando em diversos planos da nossa existência. O materialismo dos nossos avós produziu uma forte e poderosa muralha à nossa volta, mas aproximamo-nos hoje do momento em que as fissuras na muralha serão numerosas o suficiente para que a sua ruína seja efectiva e nos deixe desamparados e indefesos perante influências de toda a espécie, sem uma linguagem que ilumine a escuridão dessoutra face da terra.
Ergamos a tocha do pensamento e deixemo-la iluminar os nossos passos, se um de nós cair o outro estará lá para o levantar.
É urgente não agir, mas pensar em conjunto. O espaço do agir imediato torna-se mais apertado e sufocante a cada dia que passa; a necessidade que longiquamente emerge no horizonte é a de um pensamento capaz de se situar livremente face às demandas de um mundo que prefiguramos surgir diante de nós a uma velocidade crescente. Um mundo populado por novas formas de coacção e constrangimento cada vez mais subtis, actuando em diversos planos da nossa existência. O materialismo dos nossos avós produziu uma forte e poderosa muralha à nossa volta, mas aproximamo-nos hoje do momento em que as fissuras na muralha serão numerosas o suficiente para que a sua ruína seja efectiva e nos deixe desamparados e indefesos perante influências de toda a espécie, sem uma linguagem que ilumine a escuridão dessoutra face da terra.
Ergamos a tocha do pensamento e deixemo-la iluminar os nossos passos, se um de nós cair o outro estará lá para o levantar.
domingo, 17 de maio de 2009
Mais depressa passa um Camelo etc.
Apesar do perigo de incorrer numa leviandade, é com prazer que aqui deposito uma pequena jóia perdida no Hades do YouTube:
Perspectiva
Porquê olhar para trás quando ver é justamente ver daí? Se o passado nos dá a ver porquê perpetuar a ilusão de que podemos ver-nos vendo? Deixemo-nos de redundâncias; olhemos em frente.
Que o nosso destino foi haver chegado ao ponto de sermos livres de assumir uma perspectiva.
(tudo o resto é negócio, palhaçadas e mise-en-scène)
Que o nosso destino foi haver chegado ao ponto de sermos livres de assumir uma perspectiva.
(tudo o resto é negócio, palhaçadas e mise-en-scène)
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Irresoluções
Estou farto de gente que não percebe nada de nada. É tudo uma cambada de palhaços (no sentido nietzschiano). Será que tamanho oblívio conduz à macaqueação da vacuidade? Porquê o incessante atordoamento, saturação, excesso, verborreia?
A bestialidade faz-nos perder o sentido do movimento no silêncio e na quietude.
E o pior é que vou continuar a "pagar para ver". Será esta a triste sina de um português nascido ateu?
A bestialidade faz-nos perder o sentido do movimento no silêncio e na quietude.
E o pior é que vou continuar a "pagar para ver". Será esta a triste sina de um português nascido ateu?
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